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domingo, 23 de fevereiro de 2014

ARTIGO JORNAL TRIBUNA 23.02.2014

Está faltando amor!


Nos últimos tempos o brasileiro adotou o hábito de carregar a bandeira nacional. Seja em eventos esportivos ou manifestações políticas, nosso pavilhão destaca-se pelas cores, beleza geométrica, estrelas e pela frase: "Ordem e Progresso", lema nacional da República Federativa do Brasil. Segundo os historiadores, ela é uma adaptação do lema político do positivismo criado pelo francês Auguste Comte: “L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but”, traduzindo: "O Amor por princípio a Ordem por base; o Progresso por fim". Falando em bandeira, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para resgatar a frase original, porém existe a resistência de alguns parlamentares defendendo que na bandeira deveriam constar outras palavras como educação, honestidade, decência, trabalho ou organização. Mas, voltando ao amor, esta talvez seja uma das palavras mais ditas em todo mundo, especialmente por aqui. Tema de novelas, canções e poesias, o amor é muito falado e pouco praticado. Não falo apenas do amor positivista, tão pouco do amor atração, apetite, paixão, desejo ou libido. Muito menos do amor difundido pela ditadura instalada a partir do Golpe Militar de 1964 através do slogan: "Brasil, ame-o ou deixe-o" ou do estadunidense: “Faça amor, não faça guerra”. Falo do amor afeição, compaixão, misericórdia. Do amor caridade ensinado por Paulo aos Coríntios e a todos nós, replicado por Camões e adaptado por Renato Russo. Aquele amor sofredor e benigno que afasta a inveja, a vanglória e a soberba. Amor que renuncia ao próprio interesse, não se irrita, mas não compactua com a injustiça. Amor que crê, espera e suporta. Amor capaz de superar línguas, ciências, religiões, poder econômico ou político. Amor Cidadão! Amor comprometido com as causas ambientais e sociais. Do amor que pratica cordialidade no trânsito, generosidade nas filas. Amor que enfrenta as práticas de racismo, preconceito e discriminação. Que se preocupa com a acessibilidade. Que respeita e valoriza o patrimônio histórico, a diversidade racial, cultural e religiosa que foram fundamentais para a constituição do povo brasileiro. Imagine uma sociedade onde cada profissional atua dentro de sua área de conhecimento e da economia utilizando esse princípio de amor. Como seriam os atendimentos no setor de saúde se o princípio de amor fosse aplicado? E na educação? Imagine um judiciário e uma polícia mais amável. Se o princípio do amor regesse o legislativo ao criar leis e o executivo ao implementar políticas públicas, certamente não encontraríamos tantas desigualdades sociais, tanta exploração, tanta miséria. Quem ama não constrói edifícios com areia da praia, não coloca solvente no combustível, não adultera o leite que será consumido por milhares de pessoas. Quem ama não destrói recursos naturais, muito menos patrimônios históricos. Em um tempo onde se discute redução da maioridade penal, aplicação da pena de morte e não se ataca as reais causas da violência, encontramos uma sociedade carente e perdida. O consumismo amplia-se, os templos estão lotados, os livros de autoajuda são best sellers e a humanidade procura desesperadamente formas de encontrar a felicidade. Talvez tardiamente perceberemos o óbvio: está faltando amor!

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