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domingo, 1 de junho de 2014

Artigo Jornal Tribuna 01.06.2014

A Cura da Saúde 


Muitas vezes ouvimos falar mal da saúde que temos, mas não definimos claramente a saúde que queremos. Talvez o exercício não seja tão difícil, bastando atentar ao que prescreve a Constituição Federal que apresenta a saúde como direito de todos e dever do Estado. Há 25 anos ficou previsto a aplicação de políticas sociais e econômicas capazes de reduzir os riscos de doenças e outros agravos e o acesso universal e igualitário, com ações de proteção, promoção e recuperação.
Ao Estado compete regulamentar, fiscalizar, controlar e executar ações de saúde diretamente ou através de terceiros. A integração de uma rede regionalizada e organizada proporciona um Sistema Único de Saúde - SUS, fundamentado no atendimento integral e descentralizado e com participação efetiva da comunidade.
Mas para se atingir esse ideal de saúde precisamos garantir que todo brasileiro tenha a dignidade de um trabalho decente com condições dignas e salário justo. Com isso poderá residir em uma boa moradia, utilizar transporte adequado e desfrutar de uma alimentação balanceada ou como preconiza a Organização Mundial de Saúde, alcançar o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.
Se a teoria é importante, saber quem vai pagar a conta é muito mais. O financiamento das ações e serviços de saúde realizados pelos municípios é de responsabilidade das três esferas de governo. Através de recursos diversos, entre os quais, as transferências regulares, celebração de convênios, contratos e repasses é possível a realização de consultas, exames diversos, procedimentos de 25% de seu orçamento para a saúde, enquanto o Governo Federal colabora com uma parte e a participação do governo estadual é ínfima. Se os impostos são gerados no município e é no município que o povo mora, alguma coisa está errada.
A gestão pública, notadamente a gestão em saúde ganha cada vez maior relevância. Na sociedade atual já não existe espaço para improviso, incompetência e desonestidade. A corrupção, os desvios de recursos, os erros em processos licitatórios e outras anomalias comprometem o sucesso das ações integradas de saúde em grande parte do país.
A boa relação entre profissionais de saúde e usuários é fator primordial para o êxito da saúde pública. Profissionais desmotivados, desvalorizados e sem condições físicas, estruturais, materiais, retaguarda tecnológica, exames complementares, entre outros, não conseguem devotar o seu melhor em favor dos pacientes. Vale lembrar, que quem busca um serviço de saúde, geralmente está fragilizado, aflito, debilitado ou com dores. Nesta situação e como cidadão, merece um olhar mais atento, uma saudação carinhosa, um sorriso acolhedor e um tratamento ágil, qualificado e com resolutividade. Um atendimento humano gera confiança, vínculo e favorece o procedimento de identificação e resolução dos problemas.
Muito se fala que o sistema de saúde encontra-se na UTI. Aceitando a analogia, devemos então defender que a saúde merece atenção prioritária, integral, com disponibilização de todos os recursos humanos, físicos, financeiros e tecnológicos capazes de salvá-la.
A saúde precisa de uma cura e não será por intermédio de discursos vazios, tão pouco de projetos mirabolantes. As deficiências e falhas não podem servir de palanque político daqueles que procuram promoção pessoal, destaque em noticiários ou venda de jornais à custa da tragédia alheia. Também, não podemos fechar os olhos ou adotar a postura do avestruz e negar que existem imperfeições e que precisam ser saneadas.
O enfrentamento consciente dos problemas por meio de efetiva atuação dos órgãos fiscalizadores, do controle social pelos conselhos populares, do envolvimento compromissado dos agentes políticos e dos órgãos de comunicação são fundamentais para esse processo.