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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Artigo Jornal Tribuna - 15.07.2013


A Grande Sinfonia


Na década de 90 tive a oportunidade de trabalhar na Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Fundada em 22 de maio de 1938 pelo alemão Marx Bartsch, a OSRP desenvolve importantes projetos de difusão da música erudita, com grande destaque no cenário artístico nacional. Também conta com projetos sociais como o “Juventude tem Concerto e o “Tocando a Vida”.
Como inspetor de orquestra, uma de minhas atividades era acompanhar os ensaios e todas as apresentações o que me possibilitou conhecer detalhes interessantes que envolvem o desenvolvimento de atividades dos músicos.
Geralmente o mais conhecido, o maestro é figura fundamental, responsável por coordenar e liderar todas as atividades deve proporcionar a plena integração entre os instrumentistas e manter a coesão garantindo a plena harmonia entre a composição e a atuação do grupo. Mais que um olhar atento, precisa de um ouvido sensível para identificar eventuais falhas e aperfeiçoar a técnica de cada um dos envolvidos.
O músico é outro elemento essencial e ao observar apresentações sinfônicas, podemos observar que determinados instrumentistas participam com breves intervenções. Às vezes parecem distantes, quase que distraídos, mas no momento exato, efetuam com maestria seu mister. Uma simples nota é capaz de destacar toda a obra musical, resultado de anos de estudos e ensaios. Em outros momentos são exigidos de forma tão intensa que parecem chegar a exaustão.
Na orquestra existe uma divisão por instrumentos, os chamados naipes, cada um a sua maneira proporciona sons harmônicos que se completam. Além da organização em grupo, cada qual possui seu espaço e disposição de modo a proporcionar perfeita combinação e equilíbrio.
Mais próximo ao maestro está o naipe de cordas com os violinos, violoncelos, violas, contrabaixos e harpa. Já no naipe de madeiras encontramos as flautas e flautim, oboés e corne inglês, clarinetes e clarinete baixo, fagotes e contrafagote. O naipe de metais é formado por trompas, trombones, trompetes e tuba. Mais ao fundo encontramos o naipe de percussão onde os principais instrumentos são: tímpanos (timbales), caixa, pratos, xilofone, castanholas, triângulo entre outros. Há também outros importantes personagens como os montadores, arquivistas e toda equipe administrativa. Quando visualizamos uma orquestra o que nos marque é o todo e o todo somente é perfeito graças ao empenho pessoal de cada um.
Em singela analogia, podemos comparar nossa sociedade com uma orquestra. Cada indivíduo deve ser valorizado e colaborar com sua potencialidade e vocação para o êxito do coletivo. Existe o momento para cada um apresentar suas habilidades. Em alguns instantes de modo individual, em outros agrupados, mas sempre objetivando o melhor para o coletivo.
Há que se respeitar o brilho de cada estrela é isso que garante a beleza da constelação. Se um músico se preocupa demais com a forma que o outro está tocando, certamente perderá a concentração e correrá o risco de desafinar. Os naipes são complementares, podem se apresentar de modo belo quando isolados, mas nada supera a emoção de ouvir todos juntos tocando de modo harmônico.
Nosso país, nosso estado, nossa cidade possuem pessoas maravilhosas, talentos esplendorosos nos mais variados setores, características que causam inveja a todo planeta, mas ainda não aprendemos a atuar de modo coletivo. O egoísmo de alguns, os interesses políticos de outros, os jogos econômicos e de poder perturbam o bom andamento da composição elaborada pelo nosso Criador.
É urgente e necessário possibilitar que todos tenham acesso aos direitos elementares e que possam exercitar sua cidadania em plenitude. Também, é preciso exigir responsabilidades, não dá para atravessar sempre, não dá para agredir nossos ouvidos ou nossa dignidade.
A música é universal e democrática, mesmos os mais simples e que jamais tiveram qualquer contato com determinado ritmo logo se envolvem e se maravilham com seus encantos.

A vida é bela e viver intensamente é algo maravilhoso. Viver em comunidade é ainda melhor. Compreender, respeitar e incluir são gestos, exercícios que podem nos auxiliar na execução da Grande Sinfonia. O convite de hoje é simples: vamos tocar juntos?