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domingo, 22 de dezembro de 2013

Artigo Jornal Tribuna em 22/12/2013

Somos todos idiotas

  
Na tentativa da construção de uma sociedade mais digna e justa, onde igualdade, liberdade e fraternidade sejam materializadas, várias pessoas mobilizam-se em associações, clubes de serviços e entidades dos mais variados setores da economia, política, religião ou vida social. Curiosamente, em seus templos, em suas reuniões e rituais, são pessoas maravilhosas que trocam abraços e elogios, aplaudem as falas dos outros, são verdadeiros anjos na terra. Lá fazem discursos empolgados, que deixam qualquer vivente emocionado. Poucos instantes depois, no trânsito, cometem uma série de barbaridades, buzinam, xingam e, não muito raro, protagonizam verdadeiras batalhas. Observe as filas e a disputa por vagas nos grandes centros comerciais, as guerras nos estádios de futebol e as contendas entre vizinhos. Dificilmente você poderia imaginar que um cidadão que depreda o patrimônio público, estaciona em vaga de pessoa com deficiência, fura filas e grita palavrões no trânsito é um reverenciado líder em seu grupo. Um dos diferenciais dos grandes homens e das grandes mulheres é a capacidade de pensar, falar e agir de modo coerente e eficaz, proporcionando a conquista de seguidores e adeptos das mais variadas culturas, raças e situações econômicas. Mandela foi um dos que deixou um legado onde o discurso tornou-se prática. Outras referências contemporâneas deixaram sua marca em favor de uma sociedade menos injusta e mais pacífica. O Papa João Paulo II ensinava que a paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade, pelo que observamos cotidianamente a sociedade contemporânea demonstra imensa dificuldade em assimilar esses conceitos. Grandes verdades caíram por terra com o passar do tempo. A justiça é uma das palavras mais ditas e menos experimentadas nos últimos tempos. A liberdade é sempre confundida com libertinagem. Quanto à falta de amor, Madre Teresa de Calcutá já alertava: “...Se você vive julgando as pessoas, não tem tempo para amá-las...”. Nesta época em que todos estão desesperados em programar as viagens e festas de natal e ano novo, comprar presentes e preparar suntuosas ceias, parece que os ensinamentos do Cristo que nasceu naquela humilde manjedoura da pequena Belém ficam em segundo plano. Embora, entoado diariamente em milhões de bocas, o Evangelho do Príncipe da Paz encontra corações resistentes e orgulhosos que não conseguem enxergá-lo na figura do próximo. Quanto a esta dificuldade de amar, compreender e conviver com o próximo, o pastor e ativista dos direitos humanos, Martin Luther King nos deixou um verdadeiro chacoalhão: “Ou vivemos todos juntos como irmãos, ou morremos todos juntos como idiotas”. Vamos tentar mudar juntos? Feliz Natal para todos!