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domingo, 7 de julho de 2013

Artigo Jornal Tribuna - 07/07/2013


O passo seguinte


Nesta semana participei de uma atividade na Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da USP (FEA). Atendendo a pedido do Ministério Público, os mestres e doutores constituíram um grupo para análise das planilhas do transporte coletivo local. Como determinam as boas técnicas acadêmicas, traçaram objetivos claros para compreensão dos termos da concessão, verificação da correção dos valores praticados e dos indicadores de qualidade no cumprimento dos termos pactuados. A metodologia proposta vem ao encontro do que defendo. Na sociedade ideal que acredito, o transporte coletivo seria público, gratuito e de qualidade. No Brasil que, ainda sente os efeitos da cultura privatista que se apropriou do patrimônio público em favor dos interesses do capital privado, o quadro é diferente e temos que buscar as metas possíveis para o momento, para o médio e longo prazo. A questão do transporte público jamais mereceu profunda atenção dos governantes prova disso é que, segundo a Pesquisa de Informações Básicas do IBGE em 2102 apenas 6,4% dos municípios contavam com Conselhos de Trânsito e Transporte. Do seu lado, os usuários pareciam acostumados ao sofrimento cotidiano. Recentemente, os municípios realizaram as Conferências da Cidade onde o tema foi amplamente debatido e a participação popular foi acanhada.
Além da criação de Conselhos, é importante que os colegiados tenham a capacidade de analisar, compreender e compartilhar com toda sociedade as polêmicas planilhas e seus componentes (recursos humanos, veículos, quilometragem, quantidade de passageiros transportados, o lucro ou a remuneração pelo investimento, entre outros), deixando cristalino para todo cidadão tudo o que envolve a estipulação dos valores do transporte coletivo.
Outra prioridade para todas as cidades com mais de 20 mil habitantes é a implementação dos Planos Municipais de Mobilidade Urbana que contemplem a acessibilidade, a circulação e sistema viário, os sistemas de transporte coletivo e comercial e o sistema de transporte de cargas.
As inúmeras marchas, protestos e caminhadas foram o marco de um novo tempo. O passo seguinte é a dialética entre conflito e consenso, onde os diversos interesses serão desnudados, identificados e comparados dentro de um debate democrático capaz de produzir as políticas públicas sonhadas e as pactuadas.
O exercício de reunir na mesma mesa governo, empresários, sociedade civil organizada e usuários do sistema será salutar para encontrar gargalos, reduzir gorduras, desmistificar lendas e apontar caminhos e alternativas para um transporte de qualidade e de valor justo.

Paz, saúde, prosperidade!

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