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domingo, 17 de março de 2013

Artigo Jornal Tribuna 17.03.2013

Francisco, Fraternidade e Juventude


Já recuperada da inesperada renúncia de Bento XVI e empolgada pela eleição e primeiros atos do novo Papa Francisco, a igreja católica brasileira segue o período de quaresma meditando sobre o tema de 2013 “Fraternidade e Juventude”, que traz o lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Embora abandonadas por muitos, práticas como a oração, o jejum e a esmola continuam sendo indicadores da fé neste período de reflexão e maior proximidade com o Cristo.
            A juventude já foi tema de outra campanha da fraternidade em 1992, com o Lema "Juventude, caminho aberto", quando os jovens e as jovens eram convidados a assumirem seu papel protagonista na sociedade. Agora, segundo o documento base, a proposta é “olhar a realidade dos jovens, acolhendo-os com a riqueza de suas diversidades, propostas e potencialidades; entendê-los e auxiliá-los neste contexto de profundo impacto cultural e de relações midiáticas; fazer-se solidária em seus sofrimentos e angústias, especialmente junto aos que mais sofrem com os desafios desta mudança de época e com a exclusão social; reavivar-lhes o potencial de participação e transformação”.
            Existe, ainda, um claro convite de mobilização e acolhimento solidário para proporcionar à juventude espaços, projetos e políticas públicas que possam auxiliá-los a organizarem a própria vida a partir de escolhas fundamentais e de uma construção sólida do projeto pessoal.
            Na era digital, apresentar Jesus Cristo aos jovens e proporcionar um encontro pessoal capaz de gerar conversão e engajamento não parece tarefa das mais fáceis. Sensibilizá-los para uma vida em comunidade e de liderança exige uma grande mobilização. É justamente isto que ocorrerá na Jornada Mundial da Juventude a ser realizada no Rio de Janeiro nos dias 23 a 28 de julho.  
A juventude católica da região de Ribeirão Preto já está mobilizada, tanto que realizou no mês de janeiro um Flash Mob nas escadarias Catedral Metropolitana de São Sebastião e outro defronte o Pinguim, como forma de divulgação. Nos grupos várias atividades estão sendo realizadas tanto para a sensibilização sobre o importante evento quanto para captar recursos para o deslocamento, alimentação e hospedagem.
Daqui a quatro meses o Brasil receberá o primeiro Papa latino-americano e entre as várias manifestações, provavelmente Francisco repetirá o mesmo que escreveu em sua mensagem para a quaresma, há alguns dias, quando era o então cardeal Jorge Mario Bergoglio, da Arquidiocese de Buenos Aires: “Hoje somos novamente convidados a empreender um caminho Pascal para a vida, caminho (...) que será incômodo mas não estéril. Somos convidados a reconhecer que algo não vai bem em nós mesmos, na sociedade ou na Igreja, a mudar, a converter-nos". 

domingo, 3 de março de 2013

Artigo Jornal Tribuna - 03.03.2013

O voto feminino


Talvez tenha passado despercebido para muitos que no dia 24 de fevereiro celebramos 81 anos da edição do Decreto n° 21.076 que assegurou o direito feminino ao voto. Em uma época em que equivocadamente campanhas circulam pelas mídias e redes sociais pregando o voto nulo ou a extinção da obrigatoriedade do voto, é importante dedicarmos alguns instantes para refletir sobre esta grande conquista.
            Na primeira Constituição de 1824, a mulher estava excluída da vida pública e da vida política. Durante muito tempo a luta feminina foi ganhando força, no entanto, na Constituição de 1890, novamente este direito foi negado. Durante aquela assembléia nacional constituinte, em um o congresso formado exclusivamente por homens, os contrários ao voto feminino posicionaram-se em sintonia com o pensamento da sociedade reinante de que a mulher era um ser inferior. Em seus fundamentos destacavam aspectos negativos na formação biológica e até psicológica da mulher.
            Enquanto, as forças reacionárias posicionavam-se em todo o mundo, as mulheres estavam se mobilizando e começavam a obter êxito. Nos Estados Unidos da América, o então território do Wyoming foi o pioneiro em 1869, aos poucos outros estados foram garantindo o direito feminino ao voto. O primeiro país que efetivamente concedeu este direito foi a Nova Zelândia em 1893. Na Austrália a vitória chegou em 1902, com algumas restrições. Na Europa o primeiro país foi a Finlândia em 1906.
            A roda da história girou e hoje observamos uma situação totalmente diferente, onde a mulher ascendeu e começou a ocupar espaços de destaque na economia e na política mundial. No Brasil, vários municípios já são governados por mulheres e a força feminina ficou expressa, também, na indicação de ministras de estado e na eleição de vereadoras, deputadas e senadoras, sendo que o ápice ocorreu com a eleição de Dilma Roussef como presidenta da república.
            Se há 81 anos a mulher não podia votar e também ser votada, na atualidade, a própria legislação determina a obrigatoriedade da inclusão de um terço de mulheres na composição das chapas eleitorais. É claro que somente a figuração na lista não é o suficiente. As mulheres precisam ter a percepção da importância de eleger mulheres aptas para a representação, bem como eleger homens compromissados com a causa feminina.
            Ao celebrar esta grande vitória, precisamos lembrar que, em outros campos, a sonhada igualdade de direitos, ainda está distante, notadamente em relação à violência doméstica que ronda milhões de mulheres.

            Esta semana onde o mundo realizará efusivas celebrações pelo dia internacional da mulher, é uma grande oportunidade para avaliarmos as conquistas  e os avanços das mulheres e nos prepararmos para transformar antigos desafios em novas vitórias.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Artigo Jornal Tribuna - 24.02.2013

A educação na sociedade do conhecimento

A volta às aulas promove uma alteração em toda cidade. As ruas ficam mais movimentadas com a circulação de milhares de crianças, adolescentes e jovens com suas mochilas e uniformes coloridos.  É momento propício para reflexões sobre os desafios que precisam ser superados. Um deles certamente é a evasão escolar que, apesar de reduzida nos últimos anos, continua com altos indicadores. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de cada 100 alunos matriculados no ensino fundamental, apenas 53 conseguirão concluí-lo. Nas regiões norte e nordeste, os indicadores são piores.  Lá, somente 40% das crianças concluem o ensino fundamental.
Um outro aspecto que merece especial atenção é o modelo. O mundo está em plena mudança e nossas escolas não estão preparadas para uma nova sociedade que evoluiu do modelo agrícola para o industrial e agora vive a plena era da informação e do conhecimento.
Durante séculos a produção industrial ditou o ritmo do mundo e o ideal da realização estava fundamentado na cultura capitalista do ter. A geração e acúmulo de riquezas foram vinculados aos sustentáculos da produção: terra, matéria-prima, energia, capital e trabalho. Estes dois últimos em eterno conflito. Como consequência, nossos alunos foram preparados para serem mão de obra ou pequenas engrenagens nesta cadeia produtiva. No mundo novo estes itens continuam tendo seu valor, mas passam a ser secundários diante do conhecimento.
Atualmente, os ativos ou bens intangíveis, como os direitos de exploração de serviços públicos através de concessão ou permissão, marcas e patentes, softwares, biotecnologia, indústria cultural e do turismo e do fundo de comércio adquirido já representam mais da metade do PIB dos países desenvolvidos.
Toda a cadeia produtiva está sendo deslocada para alcançar produtos de processos e serviços com intensa tecnologia e conhecimento. Basta analisar o que ocorre com o agronegócio em nossa região.
Em todo país, nossos gestores precisam, com urgência, implementar práticas pedagógicas adequadas à realidade dos alunos, valorizar os educadores e incentivar a gestão democrática com a participação de alunos e familiares.
Nossas escolas precisam estimular a reflexão aliada à criatividade. Na era da informática não há espaço para o velho sistema de copiar no caderno lições do quadro, e depois aplicar as técnicas de decoreba. Com o advento da internet tudo ficou muito rápido e fácil e os professores perderam a exclusividade de detentores do conhecimento. Hoje, além do suporte, devem assumir o papel de instigadores da reflexão coletiva.
Parafraseando Ataulfo Alves, como eterno nostálgico tenho “saudades da professorinha, que me ensinou o beabá”, mas tenho a consciência que nossos filhos e netos precisam dominar todas as ferramentas do moderno conhecimento, para não serem novamente dominados.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Artigo Jornal Tribuna - 20.01.2013

Estatuto da Cidade –  reflexões necessárias

 Do início da década de 1930 até o início da década de 1980 nosso país experimentou um enorme crescimento econômico que desassociado de uma organização política, econômica e social gerou um excesso de concentração de renda, um êxodo rural, a superpopulação nas metrópoles e desigualdades regionais absurdas.
Uma tentativa de superar este quadro foi a elaboração de um dos mais importantes capítulos da Constituição cidadã de 1988: a chamada Política Urbana, que somente foi regulamentado em julho de 2001 com a edição da Lei nº 10.257, denominada Estatuto da Cidade (EC). A legislação trouxe um importante instrumento democrático: a participação popular, no entanto, na prática observamos que, em muitos casos, ela tornou-se distorcida por manipulações e jogos de interesse.
Além da gestão democrática, a obrigatoriedade de elaboração de um Plano Diretor para cidades com mais de vinte mil habitantes, o direito de superfície, o usucapião especial, a desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública e o IPTU progressivo no tempo são itens que, se aplicados, dariam respostas concretas às diversas distorções urbanas encontradas por todo Brasil.
            Nestes onze anos de existência do EC foi difícil a integração entre técnicos, políticos e sociedade civil, basicamente pela dificuldade de percepção que cada um dos atores possui do seu papel e do papel dos demais. Vários municípios possuem reduzidos quadros técnicos, incapazes de superar  demandas, desafios e dificuldades cada vez mais complexas. Alia-se a isso a falta de continuidade quando das mudanças de governo onde interesses políticos e econômicos suplantam os aspectos técnicos. Grupos sociais e econômicos resistem às mudanças necessárias e optam por defender um  antagonismo de ideias pobre e vazio, no desespero de tentar desestabilizar governos, aderem a chamada teoria do “quanto pior melhor”. Até mesmo o poder judiciário se mostra reticente ao analisar embates jurídicos em temáticas chaves como a função social da propriedade.
            Com raríssimas exceções, nossas cidades não foram planejadas. É comum observar grandes centros urbanos onde as ruas centrais foram construídas para a circulação de carroças e hoje recebem um desproporcional número de carros, caminhões e ônibus. As redes de água e esgoto antigas e ineficazes geram desperdício em alguns bairros em detrimento a outros que sofrem com o desabastecimento. O transporte coletivo é caro e insuficiente, parece o roteiro de um filme onde apenas o cenário e os personagens são alterados, mas o final já é conhecido: o caos urbano.
A falta de políticas públicas integradas entre municípios e estados e a ausência de distribuição dos equipamentos sociais entre as regiões metropolitanas provocam o colapso de alguns municípios que acabam recebendo toda demanda de saúde, por exemplo. Assim, com um orçamento previsto para os seus munícipes são obrigados a atender o dobro da capacidade acolhendo brasileiros de outras localidades que buscam ali o que suas cidades de origem deveriam proporcionar. Desta forma, o que era bom, torna-se sucateado, deficiente e objeto de uma infindável série de críticas e protestos.
Neste mosaico devemos contemplar, também, acessibilidade, mobilidade, integração, preservação do meio ambiente, ordenamento setorial do crescimento e definição de locais adequados para os serviços públicos.
Desenvolvimento urbano e crescimento econômico sem justiça social são alguns dos maiores problemas urbanos e geram exclusão, violência e uma série de transtornos modernos que diariamente vivenciamos.
Fazer o que precisa ser feito é necessário e, às vezes, incompreendido. Uma tarefa destinada aos grandes brasileiros e brasileiras que aceitam lutar pelo almejado Brasil justo para todos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

UNEGRO RIBEIRÃO celebra Dia da Mulher Negra

A UNEGRO – União de Negros Pela Igualdade de Ribeirão Preto realizou, nesta quarta-feira, evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data foi escolhida como marco internacional da luta e resistência da mulher negra durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, na República Dominicana, em 1992. A coordenadora regional da UNEGRO, Ana Almeida, orientou os trabalhos e na sua manifestação inicial, falou sobre as especificidades e dificuldades enfrentadas pela mulher negra. A capoeirista Saruê fez um depoimento comovente. O Coral Aquarela apresentou várias músicas em homenagem às mulheres. A Terapeuta Lúcia Helena Tavares de Oliveira ministrou palestra motivacional com o tema: A Mulher Negra e o Mercado de Trabalho e realizou exercícios que empolgaram o público. A Equipe de Helenice Tranças realizou um belo desfile de Penteados Afros. O vereador André participou da atividade.